World Wide Web completa 25 anos de existência

World Wide Web completa 25 anos de existência

 

Entretanto, a despeito de balões, chapeuzinhos de aniversário e um bolo com uma porção de velas virtuais, Berners-Lee aproveitou a ocasião para chamar a atenção: é preciso que nós “retomemos as rédeas da internet”.

Para ele, a crescente influência de corporações e governos sobre o formato da grande rede tem ameaçado o fluxo de informações, a privacidade e, sobretudo, o caráter de instituição democrática que deveria ser a principal bandeira do ambiente virtual compartilhado. Algo precisa ser feito, portanto.

Uma constituição da internet

A proposta de Berners-Lee é tão simples quanto coerente: a internet precisa se manter aberta e acessível. “O acesso à internet deveria integrar os Direitos Humanos, como representação basilar da democracia”, disse o criador em carta aberta, por ocasião dos 25 anos da web.

World Wide Web completa 25 anos de existência

Ele também aproveitou uma entrevista ao The Guardian para conclamar usuários da rede mundo afora a tomar parte de um movimento organizado:

“Nossos direitos estão sendo violados mais e mais por todos os lados, e o perigo é que nos acostumemos com isso. Então, quero usar o aniversário de 25 anos para que todos façamos isso; para que tomemos de volta as rédeas da web e definamos o que queremos para os próximos 25 anos.”

Para o criador, todo usuário da rede deveria “tomar a frente das decisões sobre a governança e sobre o futuro da internet”. A fim de dar corpo à iniciativa, Berners-Lee lançou uma campanha: utilizando a hashtag #web25, luminares da internet devem disparar mensagens cujo foco deve se concentrar na bandeira “A internet que nós queremos” — ou seja, livre e globalmente acessível.

Abaixo as censuras estatais

Entre os principais alvos da campanha “A internet que nós queremos”, sem dúvida encontra-se o controle estatal crescente sobre a grande rede. De fato, Tim Berners-Lee sempre foi um crítico escancarado tanto da censura exercida por instituições como a NSA e a GCHQ quanto da forma insidiosa com que a espionagem do usuário comum da internet às vezes é ensaiada — e mesmo levada a cabo.

World Wide Web completa 25 anos de existência

Naturalmente, Berners-Lee não se encontra sozinho em sua tentativa de “baldeação” do terreno originalmente livre da internet. Dois nomes de peso da Google, Eric Schmidt e Jared Cohen — coautores do livro “A Nova Era Digital” (em tradução livre do inglês) — também chamaram a atenção para a influência excessiva de governos em países como a Rússia e o Irã.

“Consideradas as energias e as oportunidades que há por aí, seria possível acabar com a censura repressiva da internet dentro de uma década”, atestou Schmidt em entrevista ao  jornal The New York Times.

Uma internet neutra e globalizada

De acordo com Tim Berners-Lee, “a menos que nós possuamos uma internet aberta e neutra, não será possível confiar sem ter medo do que pode estar olhando na surdina.” Ele continua: “Seria impossível ter um governo aberto, boa democracia, bom sistema de saúde, comunidades interconectadas e diversidade cultural”.

World Wide Web completa 25 anos de existência

Por fim, o criador da Web também chama a atenção para a relativa limitação da rede atualmente — em que apenas 40% dos indivíduos no planeta tem alguma forma de acesso à internet —, ressaltando que questões infraestruturais também podem limitar grandemente o caráter democrático do ambiente virtual. “Não é ingênuo acreditar que nós podemos ter tudo isso, mas é ingênuo achar que algo vai acontecer se nós continuarmos sentados.”

Nascimentos, desaparecimentos e evoluções em 25 anos

Em duas décadas e meia de existência, a internet certamente acumulou fatos significativos tanto para o próprio desenvolvimento quanto em nível global — que o diga quem tentou acessar o site da Casa Branca há alguns anos, o que poderia terminar em uma curiosa surpresa. 

World Wide Web completa 25 anos de existência

Confira:

  • 12 de março de 1989: Tim Berners-Lee propõe a nova ideia sobre “gestão da informação” dentro da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), lançando as bases para a internet em nível global;
  • 1993: o navegador Mosaic é lançado por uma equipe liderada por Marc Andreessen. O software serviria de base para o famoso Netscape, lançado no ano seguinte;
  • 1994: surge a livraria online Amazon.com e a China entra na dança online — embora com filtragem extensiva de conteúdos. Fato curioso: quem tentava acessar o site oficial da Casa Branca, erroneamente colocando “.com” em vez de “.gov” acabava em um site pornográfico;
  • 1995: a África ganha sua primeira conexão com a internet, enquanto a Microsoft entra na guerra dos navegadores ao lançar o seu Internet Explorer — que acaba destronando o Netscape. Também o eBay faz suas primeiras vendas online, enquanto globalmente 16 milhões de internautas (0,4% da população mundial) passam a acessar a rede;
  • 1996: o primeiro celular com conexão à internet é colocado no mercado pela Nokia;
  • 1998: os EUA relegam a responsabilidade pelo controle dos domínios na web à instituição ICANN. No mesmo ano, o Google dá seus primeiros passos como site de buscas na internet;
  • 2000: o vírus ILOVEYOU gera danos de bilhões de dólares mundo afora, tornando incontornáveis questões relacionadas à segurança da rede. É também o ano em que se inicia a famigerada bolha da internet, ocasionada pelo impacto de inúmeras startups na bolsa americana Nasdaq — cuja “explosão” ocorreu em 2002;
  • 2001: a justiça dos EUA fecha o Napster, serviço popular de compartilhamento de músicas online à época. A ocasião lança debates sobre direitos autorais na internet;
  • 2005: a internet passa a alcançar bilhões de usuários pelo mundo;
  • 2007: a primeira eleição legislativa online é levada a cabo na Estônia;
  • 2012: o Facebook ultrapassa 1 bilhão de usuários, enquanto o robô Curiosity, da NASA, se registra no aplicativo de localização Foursquare em Marte. A França dá fim à rede telemática Minitel;
  • 2012: a ONU adota um tratado sobre regulamentação das telecomunicações, contando com a adesão de 89 estados e sendo recusado por 55 outros, incluindo os EUA — em nome da liberdade na internet. Algumas críticas são despertadas pela influência excessiva dos EUA na internet;
  • 2013: a grande rede alcança 40% da população mundial — aproximadamente 2,7 bilhões de pessoas —, enquanto o chinês passa a ocupar o lugar de língua dominante em ambiente online.

 

fonte e notícia : tecmundo

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